quinta-feira, 23 de abril de 2009

Conheça o lugar onde os homens são escravos das mulheres

Conheça o lugar onde os homens são escravos das mulheres

Homens beijando pés é o que mais se vê na casa noturna
Homens beijando pés é o que mais se vê na casa noturna



À primeira vista, o Valhala é como qualquer outra casa noturna de São Paulo: possui um bar na entrada, com drinques e cervejas, e uma pista de dança no andar de cima. A diferença das boates comuns é percebida ao se olhar para o chão: por todos os lados, vêem-se homens beijando pés ou sendo pisados por mulheres, servindo de tapetes.




Isso porque o Valhala é um lugar de supremacia feminina, onde os homens fazem papel de escravos e as mulheres de rainhas. O nome da casa é referência ao palácio das deusas guerreiras Valquírias, da mitologia nórdica, reconhecidas por sua força e destreza.

"Sempre me irritei com coisas como ser chamada de 'gostosa', 'tesão' ou 'delícia' quando saía à noite", diz Simone Martins, 25 anos, proprietária da casa e conhecida durante as brincadeiras como Rainha Naja muitos participantes preferem usar apelidos. "O meu sonho é que todas as mulheres sejam dominadoras".

Fetiche
Para começar, depois de passar pela porta de entrada, o homem não pode mais chamar a mulher pelo nome, mas sim de "senhora", "rainha" ou "deusa". Eles cumprimentam todas com beijos cavalheirescos na mão.

Daí para frente, todo fetiche de submissão masculina é válido, desde que não envolva sexo, dentro do BDSM sigla para bondage (imobilização), dominação e sadomasoquismo.

O mais comum é a podolatria: homens que adoram pés femininos. Eles beijam pés descalços ou calçados, com permissão da dominadora. A maioria tem ainda um costume incomum: colecionar meias usadas por mulheres. Eles chegam a pagar R$ 300 por um par. "Eu pago por uma meia, mas ela tem que estar suada", diz Paulo Lucas, escravo pessoal de Simone.

A podolatria evolui para o trampling, técnica que consiste em pisar em homens deitados no chão - os mais resistentes agüentam até 20 mulheres andando sobre eles ao mesmo tempo. Fingir ser um cachorro ou cavalo obedecendo aos desígnios da dona é outro fetiche comum.



Versão leve
No Valhala, tudo o que acontece é acompanhado de perto por Simone, que logo de cara alerta: "Não vá tentar em casa sem saber como fazer". Além disso, como o lugar é aberto ao público, as brincadeiras são feitas de uma forma leve, em comparação com o que acontece nas festas do gênero, normalmente fechadas, que se encontra por aí.

A própria Simone conta que já fez uma festa - para os praticantes assíduos - em uma fazenda. Os homens que se faziam de cachorros tinham de implorar para comer ração, correr atrás de brinquedos e latir. Os que preferiam ser cavalos tinham de carregar a dona nas costas, comer capim e dormir no estábulo.

No Valhala não se vê homens saindo machucados, e ninguém é obrigado a fazer o que não quer. Há, inclusive, preços diferentes para cada tipo de visitante. Os homens que vão para assistir pagam R$ 30 reais consumíveis. Os que vão para participar pagam R$ 30 sem consumo. Mulheres pagam apenas R$ 10 consumíveis e, se participarem da festa, podem ganhar drinques grátis. "O que está em jogo é o prazer. O homem sente prazer na submissão", diz Simone.

Quem freqüenta concorda. Priscila Feliz diz que "o poder de manipular e controlar vicia". Já Maligno, um dos homens mais animados do lugar diz que sente muito prazer no Valhala: "Sinto muito prazer. Qualquer coisa a que me submeto aqui me dá prazer. Mas, pelo contrário, se eu vir uma mulher vulgar na rua não me dá prazer".

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